“A Democracia é inegociável”, diz ACM Neto – prefeito de Salvador e presidente nacional do DEM

(Por Fernanda Dourado)

‪Juristas, políticos e entidades reagiram a nova participação do presidente da República, Jair Bolsonaro, sem partido, em ato antidemocracia neste domingo (2). Além de cumprimentar, sem máscara,  os apoiadores aglomerados em ato pró-intervenção militar e contra Congresso e STF. A maior autoridade fez declarou, em fala transmitida nas redes sociais, que tem “as Forças Armadas ao lado do povo” e que “não vai aceitar mais interferência”. Falou, ainda, que pede a “Deus que não tenhamos problemas nesta semana, porque chegamos no limite”.

O prefeito de Salvador, ACM Neto, presidente do DEM nacionalmente, reagiu a fala do presidente da República ao twittar: “A democracia é inegociável. Para que ela funcione é preciso que todos respeitem as regras do jogo. Evidentemente, as pessoas podem ter opiniões divergentes. E é sempre possível discutir para chegar a consensos. A própria democracia é que permite que isso aconteça”, afiançou o Democrata.

Leia, abaixo, as reações ao ato:

  • Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados

“Ontem enfermeiras ameaçadas. Hoje jornalistas agredidos. Amanhã qualquer um que se opõe à visão de mundo deles. Cabe às instituições democráticas impor a ordem legal a esse grupo que confunde fazer política com tocar o terror.”

  • Cármen Lúcia, ministra do Supremo Tribunal Federal

“Lamento a informação inicial, que foi aqui trazida, de ter havido agressão a jornalistas num dia tão significativo para a imprensa como no dia de hoje. É inaceitável, é inexplicável que ainda tenhamos cidadãos que não entenderam que o papel de um profissional da imprensa é o papel que garante, a cada um de nós, poder ser livre.

Estamos portanto, quando falamos da liberdade de expressão e de imprensa, especificamente, no campo das liberdades, sem o qual não há respeito às dignidades. Não há dignidade na ausência de liberdade, e não há como se exercer a liberdade sem ser informado sobre aquilo que se passa à nossa volta, que nos diz respeito, que diz respeito a outro.

E este é um papel que a imprensa cumpre superiormente. Cumpre como disse, como é seu dever, mas cumpre para garantir um direito de cada um de nós. Daí a importância de estarmos, hoje, a falar na liberdade de imprensa.

Jornalistas são agredidos, são assassinados, são o tempo todo mutilados nas suas funções, exatamente porque, ao oferecer as informações precisas que são necessárias para a informação de cada cidadão, para a responsabilidade da cidadania, para que cada um de nós possa ter acesso, a partir dessas informações, aos seus direitos e aos seus deveres.

Esse profissionais, para dar cobro a essa exigência da sua profissão, são, de uma forma inexplicável, agredidos. Agredidos às vezes por órgãos estatais, que querem o silêncio. E só quer o silêncio, quem não quer a democracia. Porque quem gosta de ditadura gosta de silêncio, mas a democracia é plural, é barulhenta, traz os ruídos que a pluralidade enseja.”

  • Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)

“Os limites que existem são os da Constituição, e valem para todos, inclusive e sobretudo para o presidente. A única paciência que chegou ao fim, legitimamente e com razão, é a paciência da sociedade com um governante que negligencia suas obrigações, incita o caos e a desordem, em meio a uma crise sanitária e econômica.”

  • Fabiano Contarato (Rede-ES), senador

“As Forças Armadas, enquanto instituição de Estado compromissada com a Constituição, precisam fazer um gesto que deixe claro que não compactuam com as bravatas autoritárias do inquilino passageiro do Planalto!”

 

 

 

 

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