Publicada em 06 de Novembro de 2018 ás 08:03:26
Bolsonaro também ganhou entre as mulheres, diz Ibope

O deputado Jair Bolsonaro (PSL) se elegeu presidente graças à metade mais rica – ou menos pobre – da população brasileira, e perdeu para Fernando Haddad (PT) na metade de baixo da pirâmide de renda. Apesar de ter sido alvo do #elenão, movimento político capitaneado por mulheres contra sua candidatura, o presidente eleito provavelmente venceu por pequena margem no segmento feminino. O recorte de renda foi o mais importante na definição do resultado: entre os eleitores que ganham mais de dois salários mínimos, Bolsonaro venceu com folga em todas as faixas etárias e de escolaridade, e também em todas as regiões, com exceção do Nordeste. Já a segmentação do eleitorado por gênero indica que mulheres votaram de forma diferente de acordo com sua posição social e idade – as mais jovens, as mais pobres e as menos escolarizadas optaram majoritariamente por Haddad. Os resultados oficiais da eleição permitem apenas a análise geográfica dos resultados – afinal, o voto é secreto. Só é possível saber como se comportaram os brasileiros segundo gênero, idade, renda e escolaridade graças à pesquisa de boca de urna do Ibope, que ouviu 30 mil eleitores no dia 28 de outubro, depois que eles já haviam teclado sua opção na urna eletrônica. A pedido do Estado, o Ibope dividiu a amostra da boca de urna em metades, seguindo dois critérios diferentes. O primeiro foi o de gênero, para analisar como votaram homens e mulheres segundo sua idade, renda, escolaridade e região. E o segundo foi o de renda – de um lado, os que ganham até dois salários mínimos, e do outro, os que recebem acima disso. Na metade mais pobre, Fernando Haddad ficou à frente: 53% a 47%, levando em conta apenas os votos válidos – excluídos brancos e nulos. Na metade menos pobre, Bolsonaro teve dois em cada três votos (67% a 33%). A divisão do eleitorado por gênero revela que Bolsonaro venceu por 61% a 39% na metade masculina. Entre as mulheres, o placar foi de 52% a 48%. Trata-se de um empate técnico no limite da margem de erro, que é de dois pontos porcentuais. Mas a probabilidade de o candidato do PSL ter ficado à frente é muito maior do que o contrário.

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