Publicada em 13 de Fevereiro de 2019 ás 16:24:58
"ACM Neto tem o DNA da arrogância", diz deputado estadual Robison Almeida em entrevista ao Bahia Repórter

  Ex-secretário de comunicação na gestão do governador da Bahia, Jaques Wagner, (PT), por oito anos, Robison Almeida, deputado estadual eleito em 2018 – tem um novo desafio: o Legislativo Estadual. O petista que foi suplente na Câmara, mas exerceu por nove meses o mandato no Legislativo federal - deixou o cargo após o deputado federal eleito, Fernando Torres – titular da vaga – sair do comando da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano (Sedur) e reassumir seu posto em Brasília.  Em entrevista à jornalista Fernanda Dourado do site Bahia Repórter, o legislador  - que já colocou seu nome para o partido para disputar a prefeitura de Salvador pela ala - obteve mais de 65 mil votos e durante a entrevista alfinetou por diversas vezes o prefeito de Salvador e presidente nacional do DEM, ACM Neto. Segundo ele, o demista tem o “DNA da arrogância” e disparou: “A gestão dele montou uma indústria de multa, asfixiou o crescimento econômico da cidade com aumento de taxas e impostos, estipulou o IPTU mais caro do país e ainda tem a pior atenção básica à saúde entre todos os municípios da Bahia”. O petista defende que o PT tenha candidatura própria e acredita que o governo conseguirá o pleito em 2020.  Ele ainda comentou sobre as possibilinades "ainda não concretas" de nomes da base de ACM Neto – que estariam namorando a base de Rui – com interesse  em 2020. O petista - que tem uma vasta experiência no executivo - já demosntrou na primeira semanano plenário da Assembleia Legislativa da Bahia que seu mandato será de propostas, mas também de enfrentamento a prefeitura de Salvador. 

 

 (Por Fernanda Dourado)

BR - O senhor ficou oito anos como secretário de comunicação do ex-governador da Bahia, Jaques Wagner. Quando concorreu à Câmara dos Deputados ficou na suplência de deputado federal, mas ainda assumiu durante nove meses o mandato. Agora foi eleito deputado estadual.  Qual sua expectativa para o Legislativo Estadual?

RA – É muito positiva. Eu reorientei a minha candidatura para deputado estadual por demandas para fortalecer a bancada do PT aqui no Legislativo baiano. O PT acabou elegendo 10 deputados estaduais. O governador foi eleito no 1° turno. E nós temos o compromisso de continuar defendendo esse projeto – que transforma a Bahia há 12 anos – iniciado por Jaques Wagner dando continuidade por nosso governador, Rui Costa. Vou trabalhar muito e honrar a representação que mais de 65 mil baianos me confiaram.

BR-  Qual sua opinião a respeito desse novo modelo adotado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, de anunciar o que ele está fazendo pela internet. Ele acaba evitando a imprensa. Recentemente, o governador da Bahia, Rui Costa, também usou a mesma dinâmica quando anunciou uma parte do secretariado pela internet. Qual sua opinião a respeito disso?

RA – Nós vivemos uma revolução digital que modificou a forma de consumo de informação na sociedade. Antes havia essa intermediação dos meios de comunicação, televisão, jornais, rádios, e agora a internet se popularizou para o cidadão. O conteúdo revelado na internet também é aproveitado pelos meios de comunicação. Eu vejo com simpatia essa postura democrática. Não exclui os veículos tradicionais, mas se moderniza dando acesso a várias pessoas, principalmente, ao vivo vendo assuntos revelados pelas autoridades do Brasil.

 

BR – Em 2017, o atual prefeito de Salvador, ACM Neto, DEM,  te alfinetou ao afirmar que não conversava com suplente ao referir-se ao senhor que na época era suplente de deputado federal. Ele ainda chegou a processá-lo por uma postagem sua na net. Qual o tipo de relação que o senhor tem com ACM Neto?

 

RA – Ele me processou por que eu reproduzi uma notícia em meu facebook de recursos públicos que foram direcionados por uma ONG – que é presidida pela mãe dele (ACM Neto). Saiu no Diário Oficial e a imprensa revelou. Eu naturalmente fiz minha defesa. Ele (ACM Neto) não aceita críticas. Tem o DNA da arrogância. Somos adversários políticos. Ele defende o projeto de exclusão, defendeu o governo Temer, defende o governo Bolsonaro. Eu defendo o governador Rui e a herança do governo do presidente Lula. Então, temos visões de mundo distintas e aqui na Bahia nós somos adversários e militamos em campos opostos.

 

BR- O senhor recentemente disse que poderia até disputar a eleição de Salvador em 2020 – justamente com o intuito de derrotar o candidato do atual prefeito de Salvador, ACM Neto, presidente nacional do DEM. O senhor acredita que o PT terá candidatura própria?

 

 

RA – Eu defendo que o PT tenha candidatura própria em Salvador até por que em 2020 não teremos mais coligação proporcional. E na história do partido, o desempenho do PT sempre foi melhor quando ele teve candidato próprio. Além disso o PT tem que apresentar um projeto alternativo ao governo do DEM em Salvador – que montou uma indústria de multa, asfixiou o crescimento econômico da cidade com aumento de taxas e impostos, e, além disso tem o IPTU mais caro do país. Também não cuida da área social tendo a pior atenção básica a saúde entre todos os municípios da Bahia. Salvador precisa de um governo que faça um investimento no social e que seja parceiro do governador Rui e que enfrente os seus problemas acumulados há séculos.

 

BR- Então, o senhor não compactua com o mesmo pensamento do ex-governador da Bahia e senador, Jaques Wagner, já que ele afirmou que nem sempre o PT precisa ser cabeça de chapa.

 

RA – Entendo o posicionamento de Wagner – quando diz que nem sempre, mas que é possível que o PT seja cabeça de chapa. Neste caso em 2020, pela mudança da legislação – creio que a melhor tática é que os partidos da base que querem ter candidatos lançá-los no primeiro turno. No segundo turno, a base do governador Rui deve se aglutinar em torno daquele que for o mais votado do partido para passar à segunda etapa. Essa mudança é uma mudança de acordo com a lei eleitoral.

 

BR- O nome do deputado federal, Cacá Leão, filho do vice-governador da Bahia, João Leão, surgiu como um dos nomes da base do governador Rui costa como possível candidato ao Palácio Thomé de Souza. Mas os nomes de Guilherme Bellintani, ex-secretário de ACM Neto e presidente do Bahia, e, também o nome do vereador e presidente da Câmara, Geraldinho Júnior, que atualmente são da base de Neto foram ventilados como possíveis nomes à disputa, mas pela base do governador Rui Costa. Qual sua opinião a respeito?

 

RA- São coisas distintas. Primeiro que são especulações e possibilidades. Vou falar de coisas reais. O PP, com João Leão, ter candidato é muito legítimo, o PSD, com Antônio Brito ter candidato também é legítimo. Ou outro aliado também é legítimo. Essas especulações de nomes ligados ao prefeito têm que materializar numa filiação a um partido da base para isso se tornar uma possibilidade. Enquanto isso não acontecer eu prefiro, está discutindo as alternativas concretas e defendo que tenha um pacto entre os partidos da base para apoiar um candidato que for viabilizado para o segundo turno.

 

BR- Quem seria este candidato da base?

 

RA- Olha... O PP, o PT, o PSD, o Podemos, o próprio Avante, o PCdo B, foram partidos que tiveram votações expressivas em 2018 em Salvador. O PT foi o partido mais votado para deputado federal e o partido mais votado para deputado estadual em Salvador. O Avante teve uma votação expressiva. O Podemos também. Creio que a definição de cada agremiação dessa com seus nomes que vai montar o cenário para que a população faça a escolha de qual serão esses candidatos à disputa. Por que eu não tenho dúvida e acredito que a base do governo estará unida em 2020 e a chance e a probabilidade de vitória é muito alta.

 

BR- Qual a experiência que o senhor traz executivo para o Legislativo?

 

RA –O conhecimento sobre os grandes projetos do governo do estado: Água para Todos,  Pacto pela Vida, dos programas estruturantes que mudaram a Bahia neste período. Isso  facilita para defender essas ações. Trago também meu relacionamento com a equipe da gestão em fazer essa intermediação dos interesses da sociedade e suas necessidades, ou seja, servindo de ponto de ligação entre governo e sociedade. Essa é minha visão sobre o desenvolvimento da Bahia e importância desse projeto de transformação que tem sido liberado pelo PT.

 

BR- Qual a sua opinião a respeito do posicionamento do governador Rui Costa – que bateu muito no presidente Jair Bolsonaro - durante a campanha presidencial. O senhor acha que pode ter algum tipo de atrito para buscar recursos?

a.u.i.s.p

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