‘Medidas de restrição não são férias’, alerta médico sobre orientação para ficar em casa

As suspensões de aulas determinadas pela prefeitura de Salvador e pelo governo do estado (leia mais aqui, aqui e aqui) não devem ser encaradas como uma folga comum. A deliberação é uma tentativa de conter o crescimento do número de casos do novo coronavírus, o Covid-19, e se trata de uma medida de restrição social. O infectologista Robson Reis explica que a partir da determinação as pessoas que puderem devem ficar em casa e evitar o contato com outras. “Medidas de restrição social não são férias”, alertou.

“A intenção é achatar a curva”, defendeu o infectologista ao destacar que se os números fugirem do controle o sistema de saúde pode entrar em colapso. Para tornar mais fácil o entendimento, o especialista fez uma analogia: “se a gente imaginar uma pessoa suja de tinta como uma doença, e ela sai em toda a cidade, com milhares de habitantes, tocando todo mundo e sujando as outras pessoas de tinta, se todo mundo for tomar banho e se limpar, talvez não tenha banheiro suficiente para todo mundo [no caso, leitos]”.

A orientação da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) é para adoção de distanciamento social. Ou seja, os baianos devem evitar aglomerações. Com o aumento do número de casos no Brasil, que nesta segunda-feira (16) chegou aos 234, conforme dados do Ministério da Saúde (MS), novas diretrizes vêm sendo adotadas.

Em Salvador a suspensão de aulas na rede de ensino municipal e particular, incluindo o nível superior, foi anunciada pela prefeitura nesta segunda-feira (16). O médico destaca que essa medida geralmente é adotada quando há transmissão comunitária no local, mas que a prefeitura de Salvador se antecipou. Esse tipo de transmissão ocorre quando não é mais possível saber a origem da infecção por ter se alastrado aleatoriamente.

“Do ponto de vista técnico, medidas mais enérgicas são indicadas quando há confirmação de transmissão comunitária, porém na minha opinião isso era somente uma questão de tempo. Só foi tomada antecipadamente”, avaliou Reis.

O especialista explica que não há como realizar testes em massa, mas uma alternativa é o maior rigor para quem chega de viagem. “A melhor opção é na verdade pegar essas pessoas e manter em quarentena”, cravou.

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